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CRÍTICAS
19/07/2005
Caderno

 

Antônio Roberto, por que temos uma tendência a criticar constantemente as pessoas que nos rodeiam? Principalmente em família nós nos damos sempre o direito de ficar apontando os pontos negativos dos outros. Fernando de Governador Valadares”.

A característica fundamental do humano é a sua imperfeição e, portanto, a sua transitoriedade. Esses limites é que permitem o crescimento, a mudança, a procura de níveis cada vez maiores e mais significativos em nossas vidas.
As mudanças pessoais que permitem nosso aperfeiçoamento para que ocorram têm alguns pressupostos. Primeiramente a consciência dos aspectos que nos atrapalham na direção da felicidade. Depois o desejo verdadeiro de mudar e, finalmente, as ações necessárias para a transformação. Qualquer mudança de comportamento é pessoal, intransferível é inalienável. Em outras palavras “ninguém muda ninguém”.
A ignorância desses princípios é que leva uma pessoa a querer mudar uma outra, através da crítica e do julgamento. Nada mais pesado e deteriorante nas relações que a crítica. Considerada o inimigo número 1 dos casamentos e da família, a crítica ocupa lugar de destaque na maioria dos relacionamentos.
Os críticos acreditam que, agindo assim, conseguirão no decorrer do tempo uma melhoria nos relacionamentos. Acontece o contrário: as relações pioram, tornam-se azedas e hostis. O criticado tende a uma postura de defensividade e se firma, cada vez mais, nos comportamentos cuja mudança a critica pretendia. O clima do relacionamento se torna tenso de vez que, ao invés da alegria e da harmonia, a culpa e o medo começam a reger o encontro daquelas pessoas.
A crítica é sempre comparativa e tem um alto teor de destrutividade. Ela aparece com mais veemência nas competições, nas disputas, onde uma pessoa quer se situar de maneira superior à outra pessoa. O comportamento crítico esconde algumas mensagens destrutivas, embora sub-liminares, tais como: “Eu sou melhor que você, você é incapaz, você não e digno de amor, você não merece, etc”. Situada no campo da hostilidade a crítica não é boa para as relações amorosas, mesmo porque o sentimento predominante na pessoa crítica não é o amor e sim o ciúme e a inveja. Amigo é aquela pessoa que conhece meus pontos fracos, eu conheço os pontos fracos dele, e nós vamos nos ajudar a conviver melhor com essas fragilidades.
Nas nossas relações temos duas posturas a escolher. A primeira, própria dos pessimistas, é centrar-se no negativo, nos defeitos, nas faltas. Há pessoas que agem assim sistematicamente. A conseqüência é a critica, o julgamento obsessivo, o controle sobre o comportamento do outro. A outra postura é a capacidade de privilegiar o lado positivo, a qualidade, os talentos da outra pessoa. As conseqüências são a admiração, o entendimento e a ajuda no desenvolvimento do outro. É impossível o amor sem a admiração.
Os casamentos fracassam, assim como as relações pais e filhos, quando as pessoas envolvidas não têm olhos para o lado claro das pessoas. Marido e mulher, pais e filhos, amigos deveriam se ajudar mutuamente no desenvolvimento do potencial de cada um, ao invés de quererem acabar com os defeitos mútuos.
Há uma história antiga em que Poscrustes, exímio anfitrião, recebiam seus hospedes com muita pompa e esmero. Havia, porém, uma condição: ao apresentar os aposentos de dormir para o hóspede, esse deveria experimentar a cama que lhe era oferecida. Proscrustes pedia que o hospede se deitasse na cama para ver se ela estava adequada a ele. Se a cama ficasse pequena, para aquele hospede e, portanto, seus pés ficassem fora da cama, o cruel anfitrião mandava cortar-lhe os pés. Há pessoas que seguem esse modelo nos seus relacionamentos. Ai de quem não se enquadrar no tamanho de suas idéias e de suas convicções. Através da crítica cortam do outro a auto-estima e a alegria que são pés no caminho da felicidade.


Antônio Roberto

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